sábado, 7 de fevereiro de 2015

Não raras vezes, percebemos, assim como descrito por Max Weber, alguns a utilizar a ética da responsabilidade em campos alheios à política, se é que existe. Como o pensador florentino, agindo, em algumas vezes, de modo sorrateiro, como uma raposa, outras, de maneira feroz, assimilando-se a um leão, prevalecendo-se da máxima, “os fins justificam os meios”. No entanto, assim como na parábola do fariseu e do cobrador de impostos, insistem em bater no peito e gritar, “Deus, eu te agradeço por não ser como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros, nem mesmo este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.
“Pai, perdoa-lhes, por que não sabem o que fazem.”
Um dos principais ensinamentos de Sirdarta Gautama e Sócrates é a questão do “conhece-te a ti mesmo”...   é necessário o prévio entendimento das motivações internas a fim de compreender as consequências das ações individuais, de forma sistêmica, para com a sociedade. Talvez, depois dessa reflexão, a imagem que tenha de si não seja tão perfeita quanto à  refletida no espelho. 
Somos, alguns que possuem consciência de sua condição, como o guerreiro Arjuna, um ser humano em sua constante luta contra a “vaidade”, e as paixões desenfreadas...
Por vezes, as idealizações tendem a ser, apenas, engrandecimento do ego “camufladas” com argumentos retóricos. Robispierre, como bom exemplo, um dos principais protagonistas da Revolução Francesa, assassinou mais pessoas em um curto espaço de tempo que o rei que o antecedeu.


Assim como uma fruta não tem um sabor intrínseco, e sim, a depender das substâncias que a compõe  e o organismo de quem a digere, um texto é para o leitor.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Os agentes, que exercem o poder coercitivo, existem para legitimar o poder do Estado. Mas quem financia, nas campanhas, os governantes, representantes do Estados, são as grandes corporações. Então, para que se perpetuem no poder, esses, criam políticas públicas que sejam favoráveis a quem os beneficiou, No dito popular, sempre estão com o "rabo preso". A população, infelizmente, acaba sempre ficando com as migalhas.Triste realidade, mas sempre foi assim, e temo que sempre será. As pessoas de bem, que deveriam entrar na política para fazer uma diferença, além do fato de não terem como concorrer contra candidatos com enormes campanhas, ficam com tanto nojo, acreditando que é impossível ou quase não se corromperem, a menos que arrisquem suas vidas e de seus familiares, que preferem não "sujar as mãos". O caso do Estelita, por exemplo, desculpe-me a expressão, "Novo Recife" é o caralho...Nossa cidade possui uma imensa riqueza histórica, os paredões que irão ser construídos, além de não ter nada a ver com a estética da cidade, que, por sinal, é uma das cidades mais antigas do Brasil, ocasionará, ainda mais, o efeito das “ilhas de calor”. Incutiram na cabeça das pessoas que cidade evoluida é aquela com enormes edifícios e grandes quantidades de carros nas ruas. Desse modo, com apoio popular, é mais fácil continuar o projeto. Tudo é feito de modo sutil. Quando é imposto, não é duradouro, a história comprova. Será que a ideia não era deixar “jogado” ,do jeito que está, para ser mais fácil convencer? Por sinal, será que a via mangue, obra pública, não está conectada ao RioMar, uma obra privada? Quantas pessoas serão beneficiadas com esse “Novo Recife”, a grande elite que possui condições de comprar um apartamento naquele local? Não é um discurso comunista , e sim, para uma utilização do espaço que beneficie não apenas 00,1% da população, e sim, grande parte. Depois disso tudo, então fica uma pergunta, o poder coercitivo, que expulsou os manifestantes, estava servindo mesmo ao Estado?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

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Como disse Heráclito, quando entramos em um rio pela segunda vez, nem ele, nem nós somos os mesmos. Tudo é passageiro, mutável. Posso discordar amanhã, o que escrevo hoje. Quando penso nas difilcudades, parece que uma "força" envia uma nova ideia para que você possa entender o presente. Yin-yang, todo bem, tem um pouco de mal. E vice-versa. Não adianta se preocupar tanto com as intempéries do presente, e nem achar que a alegria é eterna. Tudo é passageiro, cíclico.

Escrita

Posso escrever. Você, a depender do grau de afinidade, se interessará pelo texto. Mas se ler, uma coisa é inegável, terá um sentimento de aceitação ou de repulsa. Essa, pra mim, é a magia de escrever. Imagine você, em sua casa, mudar o estado de espírito de outra pessoa, que pode estar do outro lado do planeta. Somos, a todo momento, com essa velocidade da informação, modificados e complementariados pelos outros. A palavra é uma arma.

Percepção

A questão não é o não "ter". Existem as necessidades básicas.
Mas sim, a percepção correta sobre o "meio" e o "fim" pretendido.
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"EU SOU..."
Em relação a sete bilhões de pessoas e ao tempo de existência do planeta, nada...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O sonho

Acordado pelos choro dos filhos, Diógenes, vestido apenas com um pedaço de couro de animal cobrindo a parte de baixo, uma barba extensa e uma lança ao lado de seu corpo, percebe o sorriso triste e sem jeito de sua parceira, Maya, ao olhar para as crianças com fome. Estavam no meio do mato, e havia mais de uma semana que não encontravam comida, o medo de perecer, ali, no meio do nada era iminente. Decidiu ir em busca, mais uma vez, do alimento. Andando entre as trilhas, que já conhecia há bastante tempo, por riachos e becos entre os paredões, percebeu um mamífero, pensou que talvez abatendo aquela criatura teria suprimento por mais alguns dias. Algo desviou sua atenção, escutou um barulho, um leve, mais perceptível movimento fez com que algumas folhas sem movessem em meio ao matagal, não demora muito até perceber que era outro caçador. Não o conhecia, também não tinha nem ideia de que aquele outro passava pelas mesmas condições que ele. O que fazer depois de abater o mamífero?

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Tudo ficou escuro, e sentiu uma forte dor de cabeça causada pelo barulho ensurdecedor do despertador. Era 7h, sabia que estava atrasado, e muito! Deveria ter acordado mais cedo, arrependeu-se de ter ficado estudando coisas do trabalho até tarde da noite. Tomou café, às pressas, tentando conseguir chegar, pelo menos, antes do chefe. Havia uma vaga para supervisor, muitos estavam concorrendo, não podia perder, depois de tantos anos à espera. Lembrou-se do sonho, um suspiro – Ufa! Que bom que só foi um sonho!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O arado


         E José..quando, de repente, arando o roçado, sob o sol escaldante, percebe que, no movimento de seu instrumento, tira a vida de uma pequena lagarta... Olhando para ela, aquela criatura singela e frágil, lembra, também, de quão efêmera é a sua existência. Sabe que, a qualquer momento, por um toque do destino, poderá não mais partilhar seus afetos com os que dividem seus anseios e alegrias. Pensa na esposa, Laelia, e nos seus seis filhos. Começa a se perguntar se escolheu estar ali, naquele momento, executando aquele trabalho, ou se a vida o teria empurrado sem que houvesse escolha. Em meio a reflexão, resolve repousar um pouco. Bem próximo, por trás do cercado, havia um umbuzeiro, encosta a ferramenta bem próximo, e senta, apoiando as costas no caule. Esfrega o suor de seu rosto, e ,agora, com olhar no horizonte, começa a refletir se teria sido uma boa pessoa, um bom pai, um bom esposo... lembra de seu jeitão de “bicho do mato” ao tratar suas crias. Amava-os, e era recíproco, as crianças eram pequenas, mas entendiam que o pai não tinha culpa, a vida havia ensinado a ser daquele modo, foi lapidado. Tinha muita fé em Deus, era devoto de São Sebastião, santo guerreiro. Imaginou o pós-vida, será que iria para o inferno, purgatório, céu... e o julgamento? Lembrou das coisas erradas que cometeu durante sua jornada. Algo atrapalhou sua imaginação, escutou um grunhido, virou a cabeça energicamente, avistou no poleiro, que se encontrava ao lado de sua pequena casa de barro, um gato maracajá que saciava sua fome destroçando uma galinha. No entanto, José não esbouçou nenhuma reação, apenas ficou inerte observando a natureza. Refletiu que, talvez, como aquele felino, tenha seu lado instintivo, e que, quem sabe, em relação à sobrevivência do mais forte, a vida tenha exigido uma atitude feroz de sua parte. Esperou que Deus o perdoasse... levantou, bateu as calças sacudindo a poeira, pegou o instrumento. Voltou a trabalhar.